Número de cirurgias de catarata dobra em um ano no Brasil

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Intervenções passaram de 86 mil em 2010 para 169,4 mil no ano passado. Transplantes de córneas também aumentaram.

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Os brasileiros que sofrem de catarata – doença que afeta o cristalino (a lente) do olho de quem já passou dos 60 anos – estão procurando cada vez mais o sistema público de saúde para reverter o problema, que pode deixar a visão deficiente e até levar à cegueira. De acordo com dados do Ministério da Saúde, em um ano, o número de operações aumentou 97%, indo de 86 mil, em 2010, para 169,4 mil, em 2011.

O transplante de córneas também cresceu e se tornou o procedimento mais comum entre os transplantes. Em 2010, de acordo com dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), foram feitos 12,7 mil procedimentos deste tipo no país. Já em 2011, foram 14,8 mil, um aumento de 16%. Em relação a todos os transplantes de órgãos feitos no ano passado, o de córneas corresponde a 62% do total, o que demonstra o crescimento da demanda.
Quanto à catarata, o aumento, de acordo com especialistas, se deve primeiramente à maior divulgação do procedimento, que está cada vez mais barato e seguro, além de o pós-operatório demorar menos tempo (veja quadro ao lado). A demanda dos pacientes também cresceu, o que revela como o perfil dos idosos tem mudado: se antigamente quem atingia a terceira idade deixava de dirigir e investia menos na leitura e no uso de aparelhos eletrônicos, hoje o que se vê é o contrário.
“Em média, a catarata costuma aparecer por volta dos 65 anos. Quando havia menos exposição a computadores, laptops e celulares, e a pessoa no máximo assistia à televisão, o problema não chegava a incomodar. Hoje, essas pessoas estão mais ativas e percebem o problema mais cedo”, explica o médico oftalmologista e diretor clínico do Instituto de Oftalmologia do Paraná em Curitiba, Luiz Geraldo Simões de Assis.
Atualmente, segundo o médico, o diagnóstico costuma ocorrer em média cinco anos antes do que ocorria há 20 anos, justamente porque as pessoas estão procurando assistência mais cedo. É importante lembrar, de acordo com Assis, que o uso desses aparelhos não causa o problema na visão, apenas faz com que ele seja detectado logo. O índice de sucesso da operação também ajuda, uma vez que a catarata é a doença oftalmológica com mais chances de ser revertida em todo o mundo.
Córneas
No caso do transplante de córneas – necessário quando o paciente tem uma doença degenerativa, infecção, trauma ou sequela de uma cirurgia de catarata –, o médico oftalmologista da Santa Casa de Curitiba e professor da PUCPR Francisco Grupenmacher explica que o aumento se deve a um maior investimento no setor, além da maior divulgação entre a população sobre a importância da doação.
“O pagamento da cirurgia e a captação das córneas aumentaram, o que refletiu até em melhores resultados, com maior segurança para o paciente. Tanto que no Paraná, por exemplo, não há mais filas de espera”, diz o médico. No caso do transplante, a cirurgia costuma ser mais complexa, pois a córnea danificada é cortada e a do doador é posta no lugar, e os pontos só são tirados seis meses depois. O resultado, porém, é eficaz, segundo Grupenmacher, e a receita de óculos costuma ocorrer, em média, 4 meses após a cirurgia.
Ambos os procedimentos, que envolvem diagnóstico, tratamento e cirurgia, são oferecidos pelo SUS.
Catarata: doença que deixa o cristalino do olho opaco, gerando perda parcial ou total da visão. As principais causas são a exposição aos raios ultravioleta ao longo da vida – 75% dos idosos com 70 anos ou mais têm catarata – trauma, diabete tipo 1 e uso incorreto de medicamentos.
Cirurgia: em vez de anestesia local, são utilizados colírios anestésicos. O paciente tem alta no mesmo dia, e, em uma semana, a visão já está normalizada.
Transplante de córnea: necessário quando a córnea sofre degeneração, por meio de doenças como o ceratocone, traumas ou inflamações, deixando a visão embaçada ou gerando até mesmo a cegueira.
Cirurgia: troca da córnea do receptor pela córnea do doador. É mais complexo e exige pontos e anestesia local. A visão costuma ser normalizada após 15 dias.
Fonte: Gazeta do Povo
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